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Foi um dia
“dentro do comum”, daquilo que acontecia todos os dias. Eu estava preso a uma
nova rotina, e naquele dia não tinha sido diferente. Exceto por ser o primeiro
dia de primavera do ano.
Depois de uma
jornada de trabalho, me via na necessidade de ir comer algo, descansar,
respirar um ar puro, longe daquilo tudo. Fui a um restaurante para comer algo,
como de costume. Estava sozinho, pois minha companhia estava de folga naquele
dia. Até então, tudo nos conformes.
Ao me sentar na
mesa, deparei-me com um trio de amigos. Felizes, sorrindo, bebendo,
“reavivando” algumas lembranças do passado, como qualquer grupo de amigos. Foi
automático, me vi voltando no tempo junto com eles.
Encontrei-me
numa linha do tempo onde, o ponto de partida eram minhas primeiras (e mais
marcantes) lembranças como pessoa, passando por vários outros momentos
memoráveis. Ao chegar mais próximo do que sou hoje, senti um frio na alma. É
estranho pensar que tudo podia ser diferente, podia ser melhor se eu tivesse
agido de maneira diferente.
Percebi tantas
coisas que, se eu tivesse tratado de outra forma, seriam bem melhores. Quantas
pessoas eu perdi por estupidez da minha parte. Quantas oportunidades deixei passar
por medo das consequências que podiam vir. Quantos pôr-do-sol eu perdi por
preguiça de levantar um pouco mais cedo.
Sinceramente,
não sei porque tudo isso partiu (ou não) de mim. Tudo podia ser tão mais
colorido, tão mais vivo. Tantas pessoas eu podia ter ao meu lado. Tantas
oportunidades eu podia ter aproveitado, e até quem sabe as consequências. Não
acredito em coincidências, mas eu sei que eu podia estar sofrendo muito menos.
Isso só dependeu de mim.
Naquela turma
de amigos, percebi que no fundo, sempre estamos sozinhos. O que acontece ao
nosso redor é só consequência das nossas ações, as que realizamos e as que
deixamos de lado. As pessoas que chamamos de “amigos” também são consequência
de quem somos de fato, e não de quem queremos ser; eles saíram e foram a um
karaokê, e eu me vi ali, sozinho, com uma caneta e um pedaço de papel.
Quem sabe a
primavera não nos traz cor, e amor. Faz-nos pessoas melhores. Mais vivas. Que
aproveite cada momento da vida. Isso só depende de nós.
"Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de
razão na loucura." (Friedrich Nietzsche)
(Texto escrito pelo Bigorna em 25 de setembro de 2014)