segunda-feira, 17 de novembro de 2014

01:47 am


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       Era um domingo. Primeiro dia de primavera. Lembro-me como se fosse ontem.
       Foi um dia “dentro do comum”, daquilo que acontecia todos os dias. Eu estava preso a uma nova rotina, e naquele dia não tinha sido diferente. Exceto por ser o primeiro dia de primavera do ano.
       Depois de uma jornada de trabalho, me via na necessidade de ir comer algo, descansar, respirar um ar puro, longe daquilo tudo. Fui a um restaurante para comer algo, como de costume. Estava sozinho, pois minha companhia estava de folga naquele dia. Até então, tudo nos conformes.
       Ao me sentar na mesa, deparei-me com um trio de amigos. Felizes, sorrindo, bebendo, “reavivando” algumas lembranças do passado, como qualquer grupo de amigos. Foi automático, me vi voltando no tempo junto com eles.
       Encontrei-me numa linha do tempo onde, o ponto de partida eram minhas primeiras (e mais marcantes) lembranças como pessoa, passando por vários outros momentos memoráveis. Ao chegar mais próximo do que sou hoje, senti um frio na alma. É estranho pensar que tudo podia ser diferente, podia ser melhor se eu tivesse agido de maneira diferente.
       Percebi tantas coisas que, se eu tivesse tratado de outra forma, seriam bem melhores. Quantas pessoas eu perdi por estupidez da minha parte. Quantas oportunidades deixei passar por medo das consequências que podiam vir. Quantos pôr-do-sol eu perdi por preguiça de levantar um pouco mais cedo.
       Sinceramente, não sei porque tudo isso partiu (ou não) de mim. Tudo podia ser tão mais colorido, tão mais vivo. Tantas pessoas eu podia ter ao meu lado. Tantas oportunidades eu podia ter aproveitado, e até quem sabe as consequências. Não acredito em coincidências, mas eu sei que eu podia estar sofrendo muito menos. Isso só dependeu de mim.
       Naquela turma de amigos, percebi que no fundo, sempre estamos sozinhos. O que acontece ao nosso redor é só consequência das nossas ações, as que realizamos e as que deixamos de lado. As pessoas que chamamos de “amigos” também são consequência de quem somos de fato, e não de quem queremos ser; eles saíram e foram a um karaokê, e eu me vi ali, sozinho, com uma caneta e um pedaço de papel.

       Quem sabe a primavera não nos traz cor, e amor. Faz-nos pessoas melhores. Mais vivas. Que aproveite cada momento da vida. Isso só depende de nós.




"Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura." (Friedrich Nietzsche)

(Texto escrito pelo Bigorna em 25 de setembro de 2014)

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